domingo, 22 de abril de 2012

And this is my kind of love. It's the kind that moves on. It's the kind that leaves me alone, yes it does.

Eram duas taças.
Fazia quase um ano que ela havia comprado duas taças, mesmo sendo apenas ela.
Como se houvesse uma certa esperança de que, em breve, seriam dois.
Intermináveis poemas. Poemas escritos desde o carnaval de 2002. Poemas que contavam sobre o romance (ou a tentativa de ser um), contavam sobre as 4 estações do ano. Contavam sobre sonhos sempre vivos, porém adormecidos. Contados por ele, vivos dentro dela.
Ele era a [frustrada] fantasia de tudo que ela sonhou. No papel.
Na carta, nas fitas K-7. Na trilha sonora perfeita para as tardes de pôr-do-sol que estariam por vir.
Era quase a perfeição de qualquer sonho de garota.
Dez anos se passaram. O reencontro que ele tanto sonhou. A taça se quebrou.
Foi naquele momento que puderam ver que a outra taça, perfeita ainda, intacta, já não mais sonhava com os poemas e canções. Ela só queria uma segunda taça inteira, forte. Capaz de tornar realidade tantos sonhos.
Ela estava inteira novamente.
O que sobrou dele havia se quebrado com a taça.


domingo, 8 de abril de 2012

I'm gonna steer clear.

Incrível como coisas simples podem te fazer sair um pouco daquela realidade. Aquela mesma realidade que te faz pensar: pqp, o que estou fazendo aqui?
Ninguém quer ser deixado para trás, ninguém quer ser esquecido. Ainda mais quando se ouve coisas boas, bonitas. E esse ouvir muitas vezes, vem do silêncio.
Silêncio de atitudes que nunca chegam. Não da forma que esperamos, ou de quem esperamos.
Eu já ouvi tantas coisas, e sempre tive aquilo como verdade, mesmo porque, sempre cumpria com o que falava. Pelo menos, se isso gerava uma expectativa para a outra pessoa.
Mas aí eu acordei e vi que não, ninguém faz sacrifícios por mim. Aliás, tem quem o faça. Mas desses, eu não posso falar nada. Já falei e julguei muito, e fui errada nisso.
Cheguei nesse ponto que não me importo mais se você não se importa. Não espero nada, e não vou fazer nada além do que eu quero fazer. Cheguei nesse ponto onde eu sou a figura mais importante e vou tentar me fazer feliz. 
Então você vê atitudes não coerentes, e se cansa. E quando você se cansa, um mundo de novas oportunidades se abre. Quando você se cansa, você se abre para o novo. 
Você se cansa de se importar com coisas bobas, e você entende que as coisas se fecham, mudam de cenário, mudam de roupa e de música. E tudo bem. Eu apenas vou  me dar o direito de fazer o mesmo também, talvez por começar a entender que minha fidelidade deve começar primeiro, comigo, "de mim para mim".
E que momento mágico, quando você começa a se abrir para o novo, e vê novas formas de amar, ser amado, sentir, ver o sol de outro jeito, sentir a chuva fria levar o que não está te fazendo bem.
Nunca fui de seguir meus instintos. Mesmo porque, muitas vezes, não tenho como explicá-los. 
Acho que comecei a seguí-los, e tudo o que já foi verdadeiro na minha vida, voltou. 
E o que já foi, talvez nem signifique que não tenha sido verdadeiro, mas talvez só não o é mais. 
E tudo bem. A vida é feita de partidas, de chegadas, de começos, finais e recomeços. 
Saber guardar isso no coração, e entender também, só vem com o tempo.
Promessas são lindas, mas foram feitas para ser quebradas, assim como nós fomos feitos para ser mutantes. E não é que há uma beleza toda exótica nisso? Portas se fecham, portas se abrem. 
E o que deve permanecer, sempre vai estar lá.